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domingo, 2 de dezembro de 2012

Fatalmente é dezembro!


A vida é uma constante espera. Uma jornada onde o que é privilegiado é o futuro, o que ainda temos para conquistar, o salário ideal, a casa dos sonhos, o relacionamento perfeito, o corpo saudável e desejável, os amigos sinceros, noites perfeitas e novamente a espera que se repete anualmente: todos querem uma noite de Natal mágica.
            Devo estar escrevendo essas linhas porque hoje, fatalmente é dia 1 de dezembro. Quer fatalidade mais cruel que essa? Saber que todos os anos são iguais? Vivemos então numa constante espera por momentos iguais, porém diferentes... Porque as festas comemorativas, principalmente o Natal é uma fatalidade que para muitos deveria não acontecer.
Um erro.
Veja o prefeito de nossa cidade... Deve odiar tanto o Natal que cogitou a possibilidade de não iluminar a cidade com as tão esperadas luzes natalinas. Ele deve odiar o Natal porque para ele o Natal significa gastar muito dinheiro e portanto, infelicidade.
            Será que o mendigo que foi morto à pauladas na madrugada de ontem gostava da noite de Natal? Alguém sabe me responder? Aposto que não.  Porque conversar com um mendigo também é um erro. Para que perder tempo com essas pessoas perdidas pelo tempo, pelo desprezo e pelas drogas? É muito melhor viver nessa constante espera por algo que muitas vezes nem sabemos o que é do que perdemos alguns momentos de nosso tempo para olhar o que está em nossa volta.
O assassinato do mendigo ocorreu na esquina da minha casa. O delegado em entrevista a CBN informou que a polícia não soube identificar a identidade do moço. Morador de rua não tem nada, nem dinheiro e nem direito de ser alguém com nome, sobrenome, data de nascimento. Morador de rua tem pai? Tem Natal? Fatalmente minha resposta é não.
            Fatalmente dezembro chegou e com ele muitas reflexões... Muita espera. Muito vazio. Muita esperança de que a mudança aconteça. Muitas luzes e a alma escura que nem mesmo a mais bela das luzes conseguiria acender.
            Quando somos crianças nossa  espera significa outra coisa... Na adolescência esperamos pela autonomia e respeito e isso nunca acontece.
Fatalmente a maturidade chega e com ela o trabalho, o resultado dos estudos,  uma possível tentativa de estabilidade. O casamento acontece, o amor fatalmente surge em sua vida.  Essa é a fatalidade mais desejada e universalmente proclamada.
             Fatalmente é dezembro e fatalmente as expectativas que faz presente neste mês também. O que não nos explicaram é como é possível vivenciar realmente o espírito de natalino com tanta violência, deslealdade, desamor.
Um mendigo morreu na esquina de minha casa há menos de 48 horas. Um senhor que deveria ter uma vida mais tranquila vende frutas na outra esquina da minha casa, pois ele esperou a vida inteira por uma velhice digna e isso não aconteceu. A juventude do moço bonito viciado em crack que vaga pelo quarteirão onde moro foi perdida, e ele ainda espera o dia em que mude de vida.
A espera... A mudança... Esses sentimentos fatalmente se renovam no período que antecede o Natal...
            Eu continuo esperando a noite mágica do Natal, como aquela registrada em foto quando por volta dos meus 5 anos de idade o Papai Noel entrou na minha casa e me deu a minha tão sonhada bicicleta...