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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Constante


Toda tarde é a mesma voz, a mesma risada, os mesmos passos. 
Acredito que a mesma esperança também, como o mesmo grito, a mesma ansiedade, a mesma energia e o mesmo milagre de ser criança.
Toda tarde, o mesmo pai, com a mesma depressão, precisa dos mesmos remédios e dos mesmos cuidados! 

Toda tarde, como todas as outras eu mesma rezo, para que eu continue ouvindo das mesmas brincadeiras, com a mesma boca, com a mesma alegria. 
Mas rezo para que aquele mesmo pai encontre em seu filho, os mesmos motivos, ou muitos outros motivos para viver e ouvir o que seu filho tenta lhe dizer todos os dias com as mesmas brincadeiras.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Fatalmente é dezembro!


A vida é uma constante espera. Uma jornada onde o que é privilegiado é o futuro, o que ainda temos para conquistar, o salário ideal, a casa dos sonhos, o relacionamento perfeito, o corpo saudável e desejável, os amigos sinceros, noites perfeitas e novamente a espera que se repete anualmente: todos querem uma noite de Natal mágica.
            Devo estar escrevendo essas linhas porque hoje, fatalmente é dia 1 de dezembro. Quer fatalidade mais cruel que essa? Saber que todos os anos são iguais? Vivemos então numa constante espera por momentos iguais, porém diferentes... Porque as festas comemorativas, principalmente o Natal é uma fatalidade que para muitos deveria não acontecer.
Um erro.
Veja o prefeito de nossa cidade... Deve odiar tanto o Natal que cogitou a possibilidade de não iluminar a cidade com as tão esperadas luzes natalinas. Ele deve odiar o Natal porque para ele o Natal significa gastar muito dinheiro e portanto, infelicidade.
            Será que o mendigo que foi morto à pauladas na madrugada de ontem gostava da noite de Natal? Alguém sabe me responder? Aposto que não.  Porque conversar com um mendigo também é um erro. Para que perder tempo com essas pessoas perdidas pelo tempo, pelo desprezo e pelas drogas? É muito melhor viver nessa constante espera por algo que muitas vezes nem sabemos o que é do que perdemos alguns momentos de nosso tempo para olhar o que está em nossa volta.
O assassinato do mendigo ocorreu na esquina da minha casa. O delegado em entrevista a CBN informou que a polícia não soube identificar a identidade do moço. Morador de rua não tem nada, nem dinheiro e nem direito de ser alguém com nome, sobrenome, data de nascimento. Morador de rua tem pai? Tem Natal? Fatalmente minha resposta é não.
            Fatalmente dezembro chegou e com ele muitas reflexões... Muita espera. Muito vazio. Muita esperança de que a mudança aconteça. Muitas luzes e a alma escura que nem mesmo a mais bela das luzes conseguiria acender.
            Quando somos crianças nossa  espera significa outra coisa... Na adolescência esperamos pela autonomia e respeito e isso nunca acontece.
Fatalmente a maturidade chega e com ela o trabalho, o resultado dos estudos,  uma possível tentativa de estabilidade. O casamento acontece, o amor fatalmente surge em sua vida.  Essa é a fatalidade mais desejada e universalmente proclamada.
             Fatalmente é dezembro e fatalmente as expectativas que faz presente neste mês também. O que não nos explicaram é como é possível vivenciar realmente o espírito de natalino com tanta violência, deslealdade, desamor.
Um mendigo morreu na esquina de minha casa há menos de 48 horas. Um senhor que deveria ter uma vida mais tranquila vende frutas na outra esquina da minha casa, pois ele esperou a vida inteira por uma velhice digna e isso não aconteceu. A juventude do moço bonito viciado em crack que vaga pelo quarteirão onde moro foi perdida, e ele ainda espera o dia em que mude de vida.
A espera... A mudança... Esses sentimentos fatalmente se renovam no período que antecede o Natal...
            Eu continuo esperando a noite mágica do Natal, como aquela registrada em foto quando por volta dos meus 5 anos de idade o Papai Noel entrou na minha casa e me deu a minha tão sonhada bicicleta...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A procura de um "Adeus".

A cidade parecia muito selvagem naquele fim de tarde. Ao fundo, bem baixinho ia acompanhando a música, como se fosse uma prece “quantos homens me amaram bem mais e melhor que você...”. E rezava aquela música, assumiria uma personagem adormecida, pelo tempo, pelas mentiras e por histórias nunca contadas e que jamais seriam reveladas.
Precisava de força, pois, se a poesia das coisas se esvaiu pelo silêncio, era só uma questão de tempo para a história se acabar. Não sabia ao certo que papel deveria assumir naquele encontro. Mas sabia, estava linda, linda para o espelho, como sempre gosta de estar. Ele não percebe sua beleza, talvez nunca perceba quem realmente ela é.
Há tempos ele não a nota. Sabe que ele nota, pelo retrovisor do carro, pelo olhar ligeiro nas bancas as outras mulheres, seu olhar está aguçado para outros prazeres...
E o seu silêncio é o que mais a machuca. É pelo silêncio que a distância se estabeleceu, silencia sua vontade de lhe contar as coisas mais íntimas, silencia a cumplicidade não construída e que ainda lhe parece mais um “laço frouxo”.
Houve uma promessa que nunca aconteceu. Que os silêncios fossem quebrados. Em seus momentos de mais profunda solidão, se apega nas imagens do dia em que se decifrem somente pelo olhar. Não precisará mais chorar baixinho, com vergonha de sua fragilidade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Cada vez que em sua mente ela surgia, este momento lembrado era a recriação daquela noite.
Podia jurar que sentia... Sentia o cheiro, o gosto do seu corpo, a textura de sua boca e o calor da sua pele.

Mesmo que já houvesse passado, alguns meses, anos talvez, ele não se enganava. Ela ainda estava lá, impregnada na sua lembrança, exalando desejo na pele, ligados pela inexplicável intensidade do que foi aquele encontro. Um segredo, silenciosamente sufocado, guardado. Silêncio que só podia ser interrompido se ela dissesse novamente: - Quero você.

E ele pressentia que, em breve ouviria docemente essas palavras. Assim se sentiria mais paz, pois teria outro segredo, e recriaria outras noites e poderia lembrar de outras sensações já adormecidas, porém não esquecidas.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Saudade III

Saudade doce. Saudade de mim quando estou com você. É do cê que quero sentir saudade para depois matar. Matar minha vontade do seu gosto, do seu cheiro.

Saudade doce é quase saudade do cê. O doce que guardo e quero.

Meu amor e esse seu gosto quase amargo, que pede um carinho doce, um carinho do cê.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Saudade II

Saudade do cê é quase saudade doce. O doce que fomos. É do cê que lembro e guardo.
Seu gosto amargo, meu gosto doce
Minha ternura e esse seu gosto falso que finge, só finge que não sabe da minha saudade
Não supera o gosto doce que foi a minha presença... doce!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Coisas do Coração

Um gato

Na noite escura e nua

Caminha calmamente pela lua

Encontra o carinho das nuvens

O chamego da brisa

Coisas que já não o satisfaz

Quer caminhar entre as estrelas

Encostar na lua cheia

Na noite mais bela

E ser amado pela gata mais linda

Caminha manso e ferido, esse felino

Nem a lua, nem as estrelas

Servem de companhia

Coração sem sentido, pede sentido

Este gato encontrará

Numa noite certa

Com a lua mais bela, a gata mais certa

A verdade esperada

As estrelas cairão sobre seu corpo

As nuvens, seu lugar seguro

Festejando a felicidade merecida

E te levará pela mão

Não mais na contramão

Mas no coração

Fim da solidão