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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A procura de um "Adeus".

A cidade parecia muito selvagem naquele fim de tarde. Ao fundo, bem baixinho ia acompanhando a música, como se fosse uma prece “quantos homens me amaram bem mais e melhor que você...”. E rezava aquela música, assumiria uma personagem adormecida, pelo tempo, pelas mentiras e por histórias nunca contadas e que jamais seriam reveladas.
Precisava de força, pois, se a poesia das coisas se esvaiu pelo silêncio, era só uma questão de tempo para a história se acabar. Não sabia ao certo que papel deveria assumir naquele encontro. Mas sabia, estava linda, linda para o espelho, como sempre gosta de estar. Ele não percebe sua beleza, talvez nunca perceba quem realmente ela é.
Há tempos ele não a nota. Sabe que ele nota, pelo retrovisor do carro, pelo olhar ligeiro nas bancas as outras mulheres, seu olhar está aguçado para outros prazeres...
E o seu silêncio é o que mais a machuca. É pelo silêncio que a distância se estabeleceu, silencia sua vontade de lhe contar as coisas mais íntimas, silencia a cumplicidade não construída e que ainda lhe parece mais um “laço frouxo”.
Houve uma promessa que nunca aconteceu. Que os silêncios fossem quebrados. Em seus momentos de mais profunda solidão, se apega nas imagens do dia em que se decifrem somente pelo olhar. Não precisará mais chorar baixinho, com vergonha de sua fragilidade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Cada vez que em sua mente ela surgia, este momento lembrado era a recriação daquela noite.
Podia jurar que sentia... Sentia o cheiro, o gosto do seu corpo, a textura de sua boca e o calor da sua pele.

Mesmo que já houvesse passado, alguns meses, anos talvez, ele não se enganava. Ela ainda estava lá, impregnada na sua lembrança, exalando desejo na pele, ligados pela inexplicável intensidade do que foi aquele encontro. Um segredo, silenciosamente sufocado, guardado. Silêncio que só podia ser interrompido se ela dissesse novamente: - Quero você.

E ele pressentia que, em breve ouviria docemente essas palavras. Assim se sentiria mais paz, pois teria outro segredo, e recriaria outras noites e poderia lembrar de outras sensações já adormecidas, porém não esquecidas.