A cidade parecia muito selvagem naquele fim de tarde. Ao fundo, bem baixinho ia acompanhando a música, como se fosse uma prece “quantos homens me amaram bem mais e melhor que você...”. E rezava aquela música, assumiria uma personagem adormecida, pelo tempo, pelas mentiras e por histórias nunca contadas e que jamais seriam reveladas.
Precisava de força, pois, se a poesia das coisas se esvaiu pelo silêncio, era só uma questão de tempo para a história se acabar. Não sabia ao certo que papel deveria assumir naquele encontro. Mas sabia, estava linda, linda para o espelho, como sempre gosta de estar. Ele não percebe sua beleza, talvez nunca perceba quem realmente ela é.
Há tempos ele não a nota. Sabe que ele nota, pelo retrovisor do carro, pelo olhar ligeiro nas bancas as outras mulheres, seu olhar está aguçado para outros prazeres...
E o seu silêncio é o que mais a machuca. É pelo silêncio que a distância se estabeleceu, silencia sua vontade de lhe contar as coisas mais íntimas, silencia a cumplicidade não construída e que ainda lhe parece mais um “laço frouxo”.
Houve uma promessa que nunca aconteceu. Que os silêncios fossem quebrados. Em seus momentos de mais profunda solidão, se apega nas imagens do dia em que se decifrem somente pelo olhar. Não precisará mais chorar baixinho, com vergonha de sua fragilidade.

Carolzita, que delicia de texto! Que sensibilidade! Mulé, divulga mais esse BROG! #Duca! Beijos!
ResponderExcluirCarolzita!
ResponderExcluirNem sabia que vc tinha um blog! Adorei as coisas que você escreve, depois vou ler com mais calma! :)
E olha o que eu estava fazendo em vez de fazer monografia: ! http://www.biscoitodenata.blogspot.com/
hehehe, mas agora estou fazendo sim!!! :)
Mil beijos, Cá!